A empresa Energia Limpa S.A. propõe a implantação de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) no município fictício de Vale Verde, localizado na região sul do Brasil, em uma área de Mata Atlântica parcialmente alterada. O aproveitamento será do tipo fio d’água (sem grande reservatório), com as seguintes características:
– Rio: Córrego Fundo (afluente de médio porte, vazão média de 12 m³/s)
– Potência instalada: 28 MW
– Área do reservatório: 1,2 km² (lâmina d’água alongada)
– Altura da barragem: 18 metros
– Área alagada: 85 hectares (predominantemente pastagens e capoeiras)
– População afetada: 45 famílias de agricultores (algumas terras serão alagadas; outras, isoladas)
– Infraestrutura associada: acesso viário (8 km), linha de transmissão (12 km), canteiro de obras.
Quadro 01 – Principais impactos ambientais previstos (Estudo de Impacto Ambiental – EIA preliminar):
| Componente ambiental | Impactos potenciais |
| Meio físico | Alteração da qualidade da água durante obras (turbidez, sedimentos); modificação do regime de vazões a jusante; interferência no lençol freático nas margens |
| Meio biótico | Supressão de 65 ha de vegetação ripária (matas ciliares); fragmentação de habitat para espécies como lontra e jacaré-do-papo-amarelo; barreira à migração de peixes |
| Meio socioeconômico | Deslocamento involuntário de famílias; perda de terras produtivas; expectativa de geração de empregos (250 na obra, 20 na operação); arrecadação de compensação financeira (CFURH, Royalties) |
Medidas de mitigação propostas (primeira versão do PCA – Plano de Controle Ambiental):
– Implantação de escada de peixes (mecanismo de transposição)
– Manutenção de vazão ecológica mínima de 3,5 m³/s a jusante
– Programa de reassentamento com indenização justa e novas áreas produtivas
– Monitoramento da qualidade da água e da ictiofauna
– Compensação ambiental com criação de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) em outra área da bacia.
Diante da situação apresentada, considerando o papel do gestor ambiental na análise e no acompanhamento da equipe multidisciplinar do EIA/RIMA, responda aos seguintes questionamentos:
- a) O EIA aponta que o reservatório terá pequena área (85 ha), mas mesmo assim ocorrerá alagamento de solos e decomposição de matéria orgânica. Explique quais gases de efeito estufa podem ser emitidos por esse processo e em quais condições eles seriam mais significativos. Relacione com o benefício climático alegado pela empresa de que a PCH é uma fonte limpa de energia.
- b) Considerando os impactos socioambientais do caso, explique quais públicos devem ser priorizados e quais informações mínimas devem ser apresentadas nas audiências públicas.
- c) Durante o processo de licenciamento ambiental, o Ministério Público Estadual questionou a metodologia do EIA em relação à análise cumulativa de impactos, pois na mesma bacia hidrográfica já existem duas outras PCHs a montante. Explique o que significa avaliação de impactos cumulativos.
- d) Na bacia do Córrego Fundo, além da PCH proposta, já existem duas outras PCHs a montante e uma pequena barragem para abastecimento público. O EIA da PCH Córrego Fundo analisou individualmente os impactos sobre a qualidade da água (turbidez, oxigênio dissolvido, metais), concluindo que seriam “baixos e localizados”. No entanto, o órgão ambiental solicitou uma análise de impactos cumulativos. Dê dois exemplos de impactos cumulativos sobre a qualidade da água que poderiam ser subestimados na análise isolada da PCH Córrego Fundo.

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