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No código visual, coletinhos sem manga, tênis ecológicos e patinetes formavam o combo que definia o típico Faria Limer em 2019. De lá para cá, alguns elementos se mantêm e, ainda que os veículos de duas rodas não estejam mais disponíveis para locação, é possível vê-los, aos montes, ao lado de bicicletas e patins, entre 8h e 9h da manhã, percorrendo a ciclovia que corta a famosa avenida.
veículos de duas rodas
Se na década de 1960 a visualidade de grupos específicos estava mais ligada ao lazer, a partir de 1980 a balança pende para o trabalho, com os yuppies norte-americanos ditando o estilo de vida dos ingressantes no mercado.
“Esses jovens urbanos profissionais ganhavam muito dinheiro em Wall Street, então existia uma ideia de símbolos como relógios, joias, restaurantes e apartamentos caros”, diz Maíra Zimmermann, historiadora de moda e professora da FAAP.
Natural que os frequentadores do Vale do Silício Brasileiro, que passam quase 12 horas por dia no trabalho, se espelhem no país vizinho. Apesar das influências externas, é sobretudo a dinâmica pautada na lógica capitalista que dita a identidade coletiva.
Para Marcelo Ribas, advisor em um escritório de advocacia, que trabalha na rua há 10 anos, a vivência transcende o trabalho. “Criou-se um polo e a gente acaba resolvendo a vida por aqui. Moradia, mercado, clube, academia, bar, restaurante. É como dizem por aí, o Condado”.


