MAPA – ECO – TÉCNICAS DE PESQUISA EM ECONOMIA – 54_2026 

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MAPA – ECO – TÉCNICAS DE PESQUISA EM ECONOMIA – 54_2026 

 

​Do Tema ao Problema: Você Consegue Pensar Como um Pesquisador?

 

Toda pesquisa começa com algum interesse, curiosidade, inquietação ou situação que desperta a atenção do pesquisador. Entretanto, ter um assunto sobre o qual se deseja pesquisar não significa, por si só, possuir um problema de pesquisa. Entre a ideia inicial e a construção de uma investigação científica existe uma etapa fundamental: transformar um tema amplo em uma pergunta clara, precisa, delimitada e passível de investigação.

 

No campo das Ciências Econômicas, temas como inflação, desemprego, renda, consumo, endividamento, produtividade, tecnologia, mercado de trabalho ou desenvolvimento econômico podem despertar inúmeras possibilidades de pesquisa. O desafio do pesquisador consiste justamente em abandonar formulações excessivamente amplas e transformar sua curiosidade em uma questão que possa ser investigada por meio de procedimentos científicos.

Como transformar um tema amplo de interesse em um problema de pesquisa cientificamente investigável e de que maneira a correta delimitação do problema influencia a construção dos objetivos e das hipóteses de uma pesquisa?

Imagine a situação de um estudante de Ciências Econômicas que recebe a oportunidade de participar de um grupo de iniciação científica. Em sua primeira reunião, o professor responsável solicita que cada integrante apresente uma proposta de pesquisa relacionada a um fenômeno econômico de seu interesse.

Animado com a oportunidade, um dos estudantes afirma que deseja pesquisar “mercado de trabalho”. Outro informa que pretende estudar “inflação”, enquanto um terceiro escolhe “endividamento das famílias”.

Os assuntos são relevantes e podem originar excelentes pesquisas. Entretanto, nenhum deles representa, ainda, um problema científico. “Mercado de trabalho”, “inflação” e “endividamento das famílias” são temas, ou seja, campos gerais de interesse a partir dos quais diversas investigações podem ser desenvolvidas.

Ao ser questionado sobre o que exatamente pretende descobrir acerca do mercado de trabalho, o primeiro estudante percebe que não consegue responder. Ele gostaria de analisar tudo: desemprego, salários, qualificação profissional, informalidade, tecnologia, diferenças regionais e oportunidades para jovens. Quanto mais tenta explicar sua proposta, mais amplo se torna o estudo.

O professor então apresenta um desafio: antes de pensar em coletar dados, aplicar questionários ou selecionar indicadores, é necessário saber qual pergunta a pesquisa pretende responder. Sem essa definição, o pesquisador pode reunir grande quantidade de informações e, ainda assim, não produzir uma resposta científica consistente. Uma pesquisa não se resume à obtenção de dados: ela corresponde a um processo racional e sistemático orientado pela busca de respostas para um problema previamente definido. É justamente nesse momento que o pesquisador precisa aprender a passar do tema ao problema.

 A realidade da pesquisa científica demonstra que uma das dificuldades mais comuns entre pesquisadores iniciantes é justamente formular adequadamente o problema de pesquisa. Muitas propostas começam com assuntos extremamente abrangentes, como “inflação no Brasil”, “desemprego”, “economia digital” ou “educação e renda”, sem definir exatamente o fenômeno que será investigado.

 

Considere, por exemplo, um estudante interessado no seguinte tema:

“Uso de inteligência artificial e mercado de trabalho.”

 

O tema desperta interesse e permite diferentes abordagens. Entretanto, ele ainda não informa exatamente o que se pretende descobrir, quem será analisado, onde, quando ou quais elementos serão relacionados.

 

O estudante poderia formular perguntas como:

“Como melhorar o mercado de trabalho com inteligência artificial?”

“Quais são os impactos da inteligência artificial?”

“A inteligência artificial é boa ou ruim para os trabalhadores?”

 

Apesar de parecerem perguntas de pesquisa, essas formulações ainda apresentam problemas. Algumas são excessivamente amplas; outras envolvem juízos de valor; outras sequer estabelecem limites suficientes para permitir uma investigação viável.

 

Agora, considere uma formulação diferente:

“Qual é a relação entre a adoção de ferramentas de inteligência artificial generativa e a demanda por determinadas competências profissionais entre trabalhadores do setor administrativo?”

 

Perceba que a pergunta começa a estabelecer uma relação investigável entre elementos específicos. O pesquisador passa a ter condições de definir quais informações precisa buscar, quais variáveis poderá observar, qual população pretende estudar e quais procedimentos poderão ser utilizados. A qualidade da investigação depende, portanto, da capacidade de transformar uma inquietação inicial em uma pergunta cientificamente estruturada.

 

Já se perguntou por que alguns trabalhos acadêmicos apresentam muitas páginas, dados, tabelas e referências, mas, ao final, não conseguimos identificar exatamente qual pergunta eles pretendiam responder? Ou por que determinadas pesquisas parecem abordar tantos assuntos ao mesmo tempo que se torna difícil compreender seu objetivo principal? Muitas vezes, a origem desses problemas está na ausência de uma delimitação adequada do problema de pesquisa.

 

Quando a pergunta central é vaga, todo o restante da investigação tende a perder coerência. Objetivos podem não corresponder ao problema, hipóteses podem não ser testáveis e dados podem ser coletados sem qualquer relação direta com aquilo que deveria ser respondido.

 

A pesquisa científica não começa pela resposta. Ela começa pela capacidade de formular adequadamente uma pergunta. Um pesquisador não deve simplesmente selecionar um tema e procurar informações sobre ele. Antes disso, precisa questionar o fenômeno, identificar uma dificuldade teórica ou prática, definir seus limites e verificar se há possibilidade concreta de investigá-lo cientificamente. Um bom problema de pesquisa orienta todo o estudo. Ele ajuda a selecionar as informações realmente relevantes, estabelece os limites da investigação e possibilita a construção coerente dos objetivos e das hipóteses. Por essa razão, aprender a formular problemas não significa apenas aprender uma técnica acadêmica. Significa desenvolver uma maneira científica de pensar: observar a realidade, questioná-la, delimitar aquilo que se pretende compreender e construir caminhos para encontrar respostas fundamentadas.

 

O tema representa o assunto geral sobre o qual se pretende desenvolver uma investigação. Trata-se do ponto de partida da pesquisa, mas ainda não corresponde ao problema que será efetivamente investigado.

 

Por exemplo:

Tema: Endividamento das famílias.

Esse assunto admite inúmeras possibilidades: cartão de crédito, juros, renda, inadimplência, educação financeira, comportamento de consumo, diferenças regionais, entre outras.

Para transformar o tema em pesquisa científica, torna-se necessário realizar sua delimitação, reduzindo sua abrangência e estabelecendo os limites da investigação.

Um possível recorte seria:

Tema delimitado: Endividamento por cartão de crédito entre jovens adultos.

Ainda assim, o pesquisador precisa definir aquilo que deseja descobrir. Surge, então, o problema de pesquisa, compreendido como uma dificuldade teórica ou prática para a qual se pretende encontrar uma resposta por meio da investigação científica.

 

O problema deve ser formulado, preferencialmente, na forma de uma pergunta e apresentar características fundamentais:

Clareza: a pergunta deve ser compreensível e evitar termos ambíguos.

Precisão: deve indicar exatamente o que será investigado.

Delimitação: precisa estabelecer limites adequados para o estudo.

Viabilidade: deve ser possível respondê-la mediante pesquisa.

Relevância: deve tratar de uma questão que justifique sua investigação.

Possibilidade de investigação: os elementos envolvidos precisam ser observáveis ou analisáveis cientificamente.

 

Assim, o tema delimitado anteriormente poderia originar o seguinte problema:

“Qual é a relação entre a utilização recorrente do cartão de crédito e o nível de endividamento de jovens adultos?”

 

A partir do problema, é possível estabelecer os objetivos da pesquisa.

 

O objetivo geral expressa aquilo que o pesquisador pretende alcançar ao final da investigação e deve estar diretamente relacionado ao problema formulado.

 

Exemplo:

Analisar a relação entre a utilização recorrente do cartão de crédito e o nível de endividamento de jovens adultos.

 

Os objetivos específicos correspondem às etapas necessárias para alcançar o objetivo geral. Eles detalham aquilo que será investigado durante o desenvolvimento da pesquisa.

 

Além disso, dependendo da natureza da investigação, poderão ser formuladas hipóteses de pesquisa.

 

A hipótese constitui uma resposta provisória ao problema formulado. Ela representa uma proposição que poderá ser analisada, testada, confirmada ou rejeitada com base nos resultados da investigação.

 

Em pesquisas que trabalham com relações entre variáveis, podem ser apresentadas, entre outras possibilidades:

 

Hipótese nula (H0): afirma a inexistência de determinada relação ou efeito.

Hipótese alternativa (H1): propõe a existência de determinada relação ou efeito investigado.

 

Exemplo:

H0: Não existe relação significativa entre a utilização recorrente do cartão de crédito e o nível de endividamento de jovens adultos.

H1: Existe relação significativa entre a utilização recorrente do cartão de crédito e o nível de endividamento de jovens adultos.

 

Perceba a sequência:

TEMA → DELIMITAÇÃO → PROBLEMA → OBJETIVO → HIPÓTESES

Cada elemento deriva logicamente do anterior. Se o problema estiver mal formulado, os demais componentes também poderão apresentar inconsistências.

 

Você, como futuro(a) economista, poderá utilizar a pesquisa científica para analisar fenômenos econômicos, compreender comportamentos, avaliar relações entre variáveis e produzir informações capazes de subsidiar decisões.

 

Entretanto, antes de dominar softwares, bases de dados ou sofisticadas técnicas estatísticas, existe uma competência essencial que precisa ser desenvolvida: saber fazer a pergunta certa.

 

Ao aprender a transformar um tema amplo em um problema científico claro e delimitado, você estará desenvolvendo uma das habilidades fundamentais do pesquisador: organizar sua curiosidade de maneira que ela possa ser investigada cientificamente.

 

Chegou o momento de assumir esse papel.

 

AGORA É A SUA VEZ!

Considere o seguinte cenário:

Você acaba de ser selecionado para participar do Laboratório de Pesquisa Econômica Aplicada de uma universidade. Na primeira reunião da equipe, o professor responsável informa que os novos pesquisadores participarão da elaboração de um estudo científico. No entanto, existe um problema: a equipe anterior deixou apenas uma anotação com o seguinte tema:

 

“Trabalho remoto e trabalhadores brasileiros.”

 

Não existem problema de pesquisa, objetivos nem hipóteses. Também não há qualquer delimitação indicando exatamente qual aspecto do trabalho remoto deverá ser investigado.

 

Durante a reunião, surgem diversas possibilidades. Alguns integrantes querem investigar produtividade; outros sugerem analisar qualidade de vida; há pesquisadores interessados em custos das empresas; outros mencionam remuneração, jornada de trabalho, satisfação profissional e intenção de permanecer no emprego.

 

O professor interrompe a discussão e explica que tentar pesquisar todos esses aspectos simultaneamente tornaria o estudo excessivamente amplo e provavelmente inviável.

 

Sua equipe recebe, então, a missão de transformar aquele tema genérico em uma proposta cientificamente investigável.

 

Você deverá pensar como um pesquisador.

 

A equipe decide concentrar a investigação na seguinte situação:

Nos últimos anos, muitas empresas passaram a utilizar modelos de trabalho remoto ou híbrido. Ao mesmo tempo, trabalhadores passaram a relatar diferentes percepções sobre produtividade, flexibilidade, deslocamentos, organização da jornada e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

 

A direção do laboratório deseja desenvolver uma pesquisa sobre trabalho remoto e produtividade dos trabalhadores, mas não aceita simplesmente a pergunta “Qual é o impacto do trabalho remoto?”, pois considera essa formulação excessivamente genérica.

 

É necessário delimitar a investigação e construir uma proposta coerente, na qual problema, objetivos e hipóteses estejam diretamente relacionados.

 

Seu Desafio:

Considerando o cenário apresentado e os conceitos de tema, delimitação, problema de pesquisa, objetivos e hipóteses, você, como integrante do Laboratório de Pesquisa Econômica Aplicada, foi convidado a elaborar a estrutura inicial dessa investigação.

 

Para isso, você deverá formular e apresentar os seguintes elementos do seu projeto:

(a) Problema de Pesquisa: formule um problema de pesquisa em formato de pergunta, que seja claro, preciso, delimitado e passível de investigação científica, considerando a relação entre trabalho remoto e produtividade dos trabalhadores. Sua formulação deverá demonstrar que você conseguiu transformar o tema geral apresentado pelo laboratório em uma questão científica específica.

 

(b) Objetivo Geral: com base no problema de pesquisa que você formulou, elabore o objetivo geral do estudo. Lembre-se de que o objetivo geral deve representar o propósito principal da investigação, possuir relação direta com o problema e ser expresso por meio de um verbo no infinitivo.

 

(c) Objetivos Específicos: para alcançar seu objetivo geral, liste pelo menos três objetivos específicos. Eles deverão representar etapas necessárias para responder ao problema formulado e alcançar o objetivo principal. Utilize verbos no infinitivo.

 

(d) Hipóteses de Pesquisa: Proponha duas hipóteses relacionadas diretamente ao problema elaborado:

Uma hipótese nula (H0): que represente a ausência de relação ou efeito investigado.

Uma hipótese alternativa (H1): que proponha a existência de relação ou efeito investigado.

 

Explique brevemente de que maneira essas hipóteses poderiam orientar a investigação.

IMPORTANTE:

Acesse o link de um vídeo tutorial para ajudá-lo nesse processo de criação e desenvolvimento. O vídeo poderá ser encontrado no FÓRUM VÍDEOS EXPLICATIVOS ou, em Arquivos>> Material da Disciplina.

A entrega deve ser feita exclusivamente por meio do Template de entrega da atividade MAPA disponível no material da disciplina.

Antes de enviar sua atividade, certifique-se de que respondeu a todas as perguntas, e realize uma cuidadosa correção ortográfica.

Após o envio, não são permitas alterações, ou modificações. Logo, você tem apenas uma chance de enviar o arquivo corretamente. Revise bem antes de enviar.

Lembre-se de que evidências de cópias de materiais, incluindo de outros estudantes, sem devidas referências serão inquestionavelmente zerada. As citações e referências, mesmo que do livro da disciplina, devem ser realizadas conforme normas da Instituição de Ensino.

Não são permitidas correções parciais no decorrer do módulo, ou seja, o famoso: “professor, veja se minha atividade está certa?”. Isso invalida seu processo avaliativo. Lembre-se de que a interpretação da atividade também faz parte da avaliação.

 Procure sanar suas dúvidas junto à mediação em tempo hábil sobre o conteúdo exigido na atividade, de modo que consiga realizar sua participação.

Atenção ao prazo de entrega, evite envio de atividade em cima do prazo. Você pode ter algum problema com internet, computador, software etc., e os prazos não serão flexibilizados, mesmo em caso de comprovação.

Bons estudos!

Em caso de dúvidas, encaminhar mensagem ao seu Professor Mediador.​​

 

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